Protocolo entre Câmara de Barcelos, GASC e ULS Barcelos/Esposende permitirá reforçar as respostas de Psiquiatria, Psicologia e Enfermagem. Projeto acompanhou 411 pessoas e realizou quase três mil consultas em 2025.
A Câmara Municipal de Barcelos aprovou um protocolo de colaboração com o GASC – Grupo de Ação Social Cristã e aULS Barcelos/Esposende para reforçar o Projeto Sorrir, uma consulta multidisciplinar especializada no tratamento de comportamentos aditivos e dependências.
A decisão foi tomada na reunião extraordinária do Executivo Municipal realizada a 7 de setembro e prevê umacomparticipação financeira de 48.324,40 euros, atribuída pelo Município ao GASC para reforçar as valências do projeto.
O acordo aprovado organiza-se em três dimensões principais: reforço clínico, apoio logístico municipal e articulação com a ULS Barcelos/Esposende. Desta forma, procura aumentar a capacidade de resposta do Projeto Sorrir sem alterar a natureza multidisciplinar da intervenção.
A comparticipação financeira de 48.324,40 euros será distribuída por duas áreas clínicas: 26.400 euros para a Psiquiatria, permitindo reforçar esta resposta para 22 horas mensais de consulta especializada, e 21.924,40 euros para a Psicologia, aumentando a dedicação técnica para 50%.
Além do reforço clínico, a autarquia assegurará apoios logísticos e em espécie, nomeadamente a cedência das instalações onde funciona o projeto, o pagamento dos encargos com água e eletricidade e a disponibilização de um lugar de estacionamento.
A ULS Barcelos/Esposende compromete-se, por sua vez, a ceder um enfermeiro, com uma afetação de 50% do respetivo horário de trabalho, para exercer funções diretamente no plano clínico do Projeto Sorrir.
Quase três mil consultas num ano
A procura registada pelo projeto ajuda a enquadrar o reforço agora aprovado.
Os dados que acompanham o protocolo evidenciam a resposta prestada pelo Projeto Sorrir. Desde 2014, foram apoiadas 1.225 pessoas e, apenas em 2025, o projeto acompanhou 411 utentes e realizou 2.997 consultas.
Em 2025, foram realizadas 937 consultas médicas, 1.162 de Psicologia, 409 de Enfermagem, 274 de Psiquiatria e 215 da área social.
O reforço agora aprovado pretende aumentar a capacidade de acompanhamento dos utentes, com impacto em três áreas. Na Enfermagem, permitirá garantir a continuidade e a segurança do Programa de Metadona e da toma observada de medicação, aumentar os rastreios anuais de doenças infetocontagiosas, como VIH, hepatites, sífilis e tuberculose, reforçar o despiste de doenças crónicas e prevenir situações de descompensação clínica e de recurso às urgências hospitalares.
Na Psicologia, o aumento da disponibilidade procura assegurar um acompanhamento clínico mais integrado e diminuir o intervalo entre consultas. Na Psiquiatria, a passagem para 22 horas mensais deverá permitir duplicar o número de consultas disponíveis, reduzir as listas de espera e melhorar a adesão terapêutica.
Promovido pelo GASC, o Projeto Sorrir é uma resposta especializada na área dos comportamentos aditivos e das dependências, articulando diferentes áreas de acompanhamento clínico e social.
Também aprovado projeto de promoção da saúde mental
Além do reforço das respostas na área das dependências, a reunião incluiu também medidas na área da saúde mental comunitária.
Na mesma reunião, o Executivo barcelense aprovou ainda um protocolo entre o Município e a ULS Barcelos/Esposende para implementar o Projeto AtivaMente, dirigido à promoção da saúde mental e do bem-estar comunitário. A iniciativa combina acompanhamento clínico com exercício físico e atividades como caminhadas com Pilates, hidroginástica, mindfulness, jogos tradicionais e terapia assistida por animais, prevendo uma turma com um máximo de 30 participantes.
O primeiro ciclo decorrerá durante 12 semanas, entre 14 de setembro e 11 de dezembro. A iniciativa surge num contexto em que os dados do Plano Local de Saúde apontam para 18.053 pessoas com perturbação depressiva, correspondentes a 11,4% dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários da ULS Barcelos/Esposende. O protocolo não prevê transferências financeiras entre o Município e a ULS, ficando cada entidade responsável pelos encargos associados às funções que assume.

